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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Esquerda, Direita, volver!

Documentário "Com Vandalismo".

Os jargões políticos eurocêntricos dividem o mundo político simplificando tudo apenas em "direita" e "esquerda" em um binarismo sectário, mas particularmente ainda acredito mais na multiplicidade e procuro entender os fatos políticos de várias formas, incluindo o máximo de pontos de vista possíveis, como dos anarquistas, dos cristãos, dos hippies, dos poetas, dos bêbados, dos drogados, dos administradores, dos psicólogos, dos educadores sociais, dos anarco-punks etc, também a partir das paixões, das contingências, dos acasos, dos detalhes, sem fixar e cristalizar tudo em apenas um ponto de vista para não excluir a alteridade, como no método pascaliano do século 17. Por influência do argelino Albert Camus, não tenho tanta "fé" na razão para acreditar em um sistema qualquer, seja político, filosófico ou religioso e nem tanta presunção como nos sistemas totalizantes, mas nessa estrutura binária que divide o mundo político apenas em dois sistemas, entendo quando um sociólogo diz que a extrema esquerda faz tudo o que não deveria ser feito, mas que ela tem um papel muito importante que é de não deixar a esquerda enveredar para a direita, com vandalismo, com violência, com radicalismos, com quebra-quebra, com pichações, com pedradas, incêndios, pauladas etc, pois, nessa "dialética do senhor e do escravo", entendo que os escravos cansaram de ficar de joelho e se insurgem da forma que encontram e que nenhum moralismo de gabinete poderá deter. Entretanto, entendo também que o militarismo da extrema esquerda se aproveitará das revoltas para impor as suas ideologias e verdades de vanguarda (principalmente os que não se dizem de vanguarda) e neste sentido penso que é preciso encontrar um equilíbrio, pois os sistemas políticos mais extremos sempre tendem para a tirania e o fascismo. Enquanto as ideias dos colonizadores fomentarem o nosso pensamento de colonizados, não creio que haverão grandes mudanças nas formas de se fazer política longe da Europa e dos Estados Unidos. Não acho interessante simplesmente excluir o pensamento europeu, mas sim o eurocentrismo, então entendo que se faz necessário pensarmos outras formas de nos organizarmos politicamente, levando em conta, por exemplo, as nossas heranças africanas e indígenas, deixando os nossos espíritos revoltados livres para destruir quando for preciso, mas principalmente para construir a todo instante no cotidiano...


domingo, 8 de setembro de 2013

Para se enfrentar militares,


Para ler ao som dos paulistas do Blind Pigs.

Por Carlos Latuff.

penso eu que devemos estar bem preparados, organizados, bem alimentados, descansados, lúcidos, planejados, emponderados, focados, unidos, articulados, informados, estruturados, não podemos ter simplesmente atitudes individuais, egoístas, centralizadas, totalitárias, sectárias, isoladas, fechadas, alienadas, pois é assim que eles conseguem o que querem, quando damos bobeira e eles se aproveitam quando estamos sozinhos; até o "balé" da cavalaria deles é estratégico, avaliado, pensado, assim como quase todas as suas atitudes, pode até ter quem discorde, mas é assim que eu leio a história, tanto antiga quanto recente das revoltas, inclusive contra a Ditadura Militar, por isso penso que não basta criatividade e espontaneísmo, as decisões necessitam sempre serem discutidas de forma coletiva, compartilhada, solidária, dialogada, conversada, socializada, caso contrário as manifestações cairão nos mesmos erros do passado e serão cada um por si e os militares contra todos e, como diz o ditado popular, por causa de um boi nós perdemos uma boiada...


Samuel na manifestação do dia 19.06.13 em Fortaleza.

Diário de Manifestação - Fortaleza/CE - 19.06.13 - Por: Samuel.

Favela de Pinheirinhos, São Paulo, Brasil, 2012.